As nossas ilhas

As nossas ilhas
  21 de fevereiro de 2017
Coordenação de textos: Antonio Carlos Pimentel / Colaborador: Amadeu Frade / Fotos: Fernando Sette Câmara – Todos os direitos reservados / All rights reserved

Ribeirinhos

Dizem que uma ilha é uma porção de terra cercada por água. Mas será mesmo?

O barulho da água batendo no esteio debaixo da casa mostra que a “maré” já subiu, e que o rio está “cheio”.

Dona Maria já puxou a água do rio para cozinhar pois o cheiro de café mostra que a cozinha já está em plena atividade.

Daqui a pouco vai ter tapioca, café, pupunha. Eita parente, que é muita comida!

Tapuio e Acelino já conversam lá fora.

Um puxando o barco para o trapiche e o outro, prendendo os cachorros. Sim, cachorros no plural. Os guardas noturnos das ilhas.

Em terra já tem gente com a peconha na mão para subir no açaizeiro. Açai da ilha é o melhor, pode perguntar!

O vento da cheia bate gostoso na cara e o barulho da água batendo debaixo da casa já está mais forte.

Tá na hora! A molecada pula da rede e corre pelo trapiche e se joga naquele riozão de manhã cedo.

As mulheres reclamam, já estavam debaixo do trapiche, nas escadas, lavando roupa.

Ainda bem que não estavam tomando banho. Hora do banho é coisa séria! Homens separados de mulheres.

É tudo festa!

Ainda não tenho outra definição para uma ilha, mas a definição de uma porção de terra cercada por água desconfio que não se encaixa numa ilha paraense.

Talvez, um aglomerado de corações, cercados por água.

Talvez.

Ainda não sei.

Vamos descobrir?