Crônica da cidade – Aceita, meu amor!

Crônica da cidade – Aceita, meu amor!
  3 de maio de 2019
Coordenação de textos: Antonio Carlos Pimentel / Redação: Sue Anne Calixto / Fotos: Fernando Sette Câmara – Todos os direitos reservados / All rights reserved

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“Aceita, meu amor!”. Com esse bordão da musa Valéria Paiva, da banda Fruto Sensual, eu digo que uma das coisas que mais tem a cara do Pará é o brega. Por mais que muita gente não seja tão fã assim do ritmo, é necessário concordar que o som toca em praticamente todo o canto da cidade. 

Tem o brega, o tecnobrega, melody, tecnomelody, marcantes etc… Assumo que não sei diferenciar nada dos ritmos, e também não é uma playlist que faz parte do meu Spotify. Mas é incrível como, se começar a tocar em algum local, eu provavelmente estarei cantando junto, mesmo sem fazer ideia de como aprendi a letra. E isso acontece de fato com muitos paraenses. O ritmo está tão enraizado que eu duvido achar alguém que não conheça ao menos um trecho de alguma dessas canções. 

Eu confesso que não sei dançar brega, mas vontade não falta. Em alguns tipos, a coreografia é mais agitada, com muitos giros, passos diferentes e rebolado. Para outro tipo, a coreografia é típica para casal, em que eles dançam bem mais devagar e juntinhos. Porém, a meu ver, a forma mais representativa de dançar o brega é com a famosa tremidinha. 

Isso me lembra algumas festas que acontecem nos finais de semana pela cidade, quando toca uma música que traz no refrão uma onomatopeia, imitando o barulho de uma arma. “São amores, pei pei, amores que matam, pei pei pei.” E nessa hora já tá todo mundo com a mão pra cima, fazendo a arminha com a mão e cantando a música a plenos pulmões. 

Outra música que sempre arranca gritos e faz todo mundo dançar igual quando toca na festa é a do crocodilo. “Faz a boquinha do animal e dalhe a dentada”. A coreografia do refrão é fácil, o que faz com que todos saibam e possam dançar essa música. 

Outra coisa que me chama bastante atenção são as paródias que os artistas paraenses fazem com os mais variados tipos de música. Isso inclusive me lembra dois memes, um em que aparecem dois homens, um tocando violão e o outro apenas observa. Isso representa o cantor paraense já imaginando como seria a versão em melody que seria feita com essa canção. O outro meme afirmava que as músicas só fazem sucesso de fato quando têm uma versão paraense dela. 

O que acho mais cômico é que muitas das canções eu só as conheço mesmo na versão paraense. Lembro que em uma aula de espanhol a professora colocou para tocar uma música que era a versão original da canção “Lábios vermelhos”. Todos deveriam cantar junto, em espanhol, é claro. Mas quando chegava no refrão, todos começavam a rir porque era impossível não lembrar da nossa versão, que inclusive, considero a melhor. 

Outra coisa bem representativa é na épocas das eleições, em que muitos dos candidatos do Estado resolvem criar a sua música de campanha com o famoso ritmo do brega. É uma boa tática, porque de fato as músicas acabam ficando impregnadas na cabeça de tanto que são repetidas. Isso me faz pensar o quanto é caótico viajar para o interior do Estado nessa época. Passam diferentes carros de som, com diferentes canções, deixando assim um amontoado de propaganda política em forma de brega na cabeça.

Dizem também que as músicas que fazem o paraense sofrer não são os pagodes ou as famosas sofrências, e sim os melodys que falam de amor. É cada letra e melodia que até quem nem está apaixonado pensa que está e ainda sofre junto com a canção. 

Independente de gostar ou não, não há como negar que o brega e os seus mais variados tipos fazem parte da cultura do Estado. E como dia a maravilhosa Joelma, “Isso e muito mais você só vai encontrar no Pará!”.