Crônica da cidade – Meu país Marambaia

Crônica da cidade – Meu país Marambaia
  13 de fevereiro de 2019
Coordenação de textos: Antonio Carlos Pimentel / Redação: Sue Anne Calixto / Fotos: Fernando Sette Câmara – Todos os direitos reservados / All rights reserved

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Vivo na Marambaia desde que me entendo por gente, então eu não sei como é ter a experiência de viver em outro bairro de Belém.

O meu país Marambaia é um mundo inteiro mesmo. Tem tudo aqui. Começa que só pra chegar as pessoas já sofrem, porque os ônibus que vêm para cá dão a volta no mundo pra poder chegar, e ainda não há tantas opções assim. Na área onde moro, por exemplo, só passa o Marambaia Ver-o-Peso. Caso eu queira outras opções, é necessário caminhar por cerca de quinze minutos. Sendo que uma dessas opções é o Sacramenta Nazaré, que é conhecido como o “Pedreira Lomas da Marambaia”. Mas tudo bem, ainda assim eu amo o meu país (menos quando estou com fome e quero logo chegar em casa).

Tem uma escola aqui chamada de Escola Mendara. Todo mundo que conheço que mora aqui já estudou lá. É tipo a primeira escola de todo bom morador do bairro. Isso faz com que praticamente todo mundo se conheça, porque com certeza já se enxergaram pelos corredores do “Mendarinha”, o apelido carinhoso dessa escola.

Outra coisa também supercomum aqui no meu país é o futebol na praça Dom Alberto Ramos. Vocês têm noção do que é estar indo para a faculdade, às sete da manhã, e já ter gente no maior pique jogando bola? E a mesma coisa na hora da volta pra casa, gente de toda idade está lá, se divertindo no futebol. Qualquer hora que sair de casa eles estarão lá, ao menos no horário em que a praça esteja aberta. É como uma rotina, pode estar caindo o mundo mas o sagrado futebol precisa acontecer.

Agora vai para a parte que eu mais gosto, a parte da comida. No meu país tem simplesmente tudo pra comer. Tem opções para todos os gostos, bolsos e horários. Tem um carrinho de lanche a cada esquina, tem de hambúrguer, hot dog, coxinha, batata frita…Tem também pizzarias, sushis, barzinhos, sorveterias, docerias. Tem restaurantes que vendem diferentes pratos desde comidas típicas a filé e simples coxinhas. E quero dizer que aqui tem as melhores tortas de morango e alemã da vida.

Mas acredito que uma das coisas mais diferentes relacionadas à comida que encontramos aqui é um carrinho de lanche que vende coxinha de sushi. Não há nem palavras para descrever o que é isso. Mas não só de sushi, tem de churrasco, de camarão com jambu e diferentes opções para todos os gostos.

O meu país é tão populoso que é normal ver todos os locais com gente, e alguns extremamente lotados, principalmente aos finais de semana.

Chega a ser um paradoxo o contraste do carrinho de lanche em cada esquina, e uma academia em todo o lugar. A realidade é que malhamos pra poder comer, né.

O meu país tem até um jornal próprio, o “Jornal da Marambaia”. Um grupo no Facebook onde são divulgadas as principais notícias do bairro. E tudo o que acontece no bairro é divulgado, desde novos lugares que chegaram a casos de violência (mas não vamos entrar neste detalhe).

O meu país Marambaia tem tudo mesmo. Tem hospitais, escolas, tem supermercados, tem barzinhos, tem festas, tem área militar, tem cemitério, tem canal, tem prédios e até faculdade. Daria pra viver morando só aqui mesmo. É por isso que amo o meu país.