Crônica da cidade – Esse rio é minha rua

Crônica da cidade – Esse rio é minha rua
  3 de abril de 2019
Coordenação de textos: Antonio Carlos Pimentel / Redação: Sue Anne Calixto / Fotos: Fernando Sette Câmara – Todos os direitos reservados / All rights reserved

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“Esse rio é minha rua!” Esta estrofe, presente na canção de mesmo nome, composta por Paulo André e Ruy Barata, nunca fez tanto sentido ao povo paraense como nos últimos tempos. Isso porque o fenômeno da maré alta transformou, literalmente, algumas ruas do Estado em rios.

As chuvas, geralmente, iniciam durante a madrugada e se estendem ao longo do dia. Quando coincidem com a maré alta, a cidade amanhece alagada. Na realidade, essas chuvas já estão ocorrendo desde o mês de novembro mais ou menos, mas o grande diferencial desses dias tem sido a altura a que as águas tem chegado em alguns locais, justamente devido às marés altas, que são comuns e já esperadas nesta época do ano.

O interessante foi perceber que mesmo diante dos transtornos que os alagamentos ocasionaram, ainda assim, alguns personagens usaram da piada como um melhor meio de passar por isso.

Um dos locais de destaque foi o mercado do Ver- o- Peso. O espaço ficou totalmente alagado. Um fato que me chamou a atenção foi um vídeo de um jacaré circulando pelas águas que inundaram o mercado. Isso instantaneamente me lembrou uma música que diz “Não queremos nossos jacarés tropeçando em vocês”. É engraçado imaginar que de fato há pessoas que acreditam que os jacarés andam naturalmente pelas ruas da cidade.

Ao assistir o vídeo, pensei que iriam acreditar nisso. As pessoas nas imagens viam a situação de modo assustado, porém, depois foi descoberto que tudo não passou de uma brincadeira, e o animal na verdade era de madeira. Além disso, houve pessoas também que resolveram brincar de pescar nas ruas.

No município de Vigia, a canoa passou a ser um dos meios de transporte utilizados para que as pessoas pudessem trafegar. Além disso, este transporte inusitado também foi visto em Outeiro. O “canoa-táxi” foi um meio que pessoas encontraram para se locomover, e os idealizadores, a ganhar dinheiro com isso. As canoas ficavam no aguardo dos passageiros que desciam do ônibus, para levá-los, sem que se molhassem, até um local de terra firme, e para isto era cobrada uma certa taxa.

Os alagamentos também ocasionaram mais uma edição das “Olimpíadas no Canal”. Em vídeos que circularam pelas redes, era possível ver os saltos ornamentais que jovens davam nos alagamentos. Ou até mesmo utilizando as águas como piscina para a diversão. É impossível não pensar também no possível perigo que isso representa.

A maré alta combinada com as chuvas já é um evento anual no Estado. Mas o exótico é perceber que, mesmo diante dos transtornos, os paraenses veem isso como uma oportunidade, para ganhar dinheiro ou para se divertir. O pensamento que predomina ao perceber essas coisas é que o povo paraense tem o poder de transformar o caos em diversão.